quarta-feira, 26 de junho de 2013

Toda reforma só acontece de dentro pra fora

Muito se fala em crise mundial política e econômica e vice-versa. Pouco se fala quando, onde, como e porque começou. Quer dizer, a História e o Jornalismo descrevem tudo isso, ultimamente da forma mais leviana possível, mas a narrativa desse texto não será a cronologia dos fatos no âmbito político-econômico mundial. A questão será a falta da compreensão do cerne da problemática. O ser humano ainda não se deu conta que o maior ativo das galáxias, a natureza com seus infinitos recursos naturais, são fontes esgotáveis, mesmo que a vaidade e a ganância por poder, inerente em muitos seres humanos mas travestidas de desenvolvimento, apenas queiram que sejam inesgotáveis. 

O mundo passa por uma crise existencial que precisa ser combatida por uma consciência coletiva revolucionária antes que se autodestrua. As nações e seus povos não conseguem chegar em consensos de desenvolvimento versus preservação social e ambiental para um desenvolvimento político-econômico efetivamente sustentável. Porque ainda não entenderam que Sustentabilidade é um tripé: social, ambiental e econômica. E que uma depende da outra. E que, principalmente, cada local tem as suas peculiaridades culturais.

Os atuais modelos de sistemas político-econômicos estão aparentemente ultrapassados, falidos de princípios éticos e morais, sejam de esquerda ou de direita, e constantemente culminam em manifestações com pautas muito específicas, embora conectadas com o coletivo que interessa a parcela da população diretamente afetada, mas nada interessante à hegemonia capitaneada pela Economia sem precedentes. No Brasil, principalmente. Vide as manifestações civis que permeiam o País há alguns poucos meses, levando milhares de pessoas principalmente jovens às ruas, mas aparentemente sem efeito mais amplo e efetivo politicamente social, mesmo que o aumento dos 20 centavos na passagem do transporte público tenha sido adiado e isso seja uma conquista. 

A massa é manipulada pela grande mídia. As lutas de classes parecem perder forças. O neoliberalismo já nasce falido no quesito sustentabilidade em seu tripé. Mas e aí, sentamos e choramos? Perdemos a ternura? Desistimos? Jamais! Primeiro, nesse momento de união de forças não podemos esquecer que a racionalidade e a inteligência, principalmente a emocional, são fatores indispensáveis para alguma solução efetiva na Política: a sua reforma. Mas, para isso, o brasileiro precisa de uma reforma íntima. Aquela que acontece de dentro pra fora. De valores não monetários. De real valor de igualdade: o do sentimento de querer realmente que todos avancem e não apenas um ou outro.

Aos que tem oportunidade de acesso à informação, precisamos deixar de ser omissos, acomodados, mal acostumados a só reclamar, sem nos culpar pelo tempo que o sistema nos engole para o avanço próprio, das pessoas que amamos e do coletivo. Infelizmente, a maioria que não tem acesso não sabe nem um milésimo do que se passa no dia-a-dia de seu País, quiçá em sua História, (in)justamente, por serem vitimas desse sistema opressor hegemônico que rouba literalmente as possibilidades de acessos a Educação e Saúde, ao Transporte e Segurança Públicos, entre todos os outros direitos conquistados a duras penas, mas constantemente cerceados por negligência e corrupção. Mas se esse mesmo um milésimo passar a se preocupar com o bem do seu entorno já será uma grande mudança. 

Protestar é preciso, mas é igualmente preciso que saibam a fundo conjecturar o porquê, o como, o para que, para onde, para quem e o 'ok, então qual o próximo passo?' O Brasil, mais do nunca, precisa de gente focada, interessada, bem informada, coerente com as demandas de opressão e todas as pautas necessitadas de igualdade e liberdade. Comprometida e com atitudes construtivas de forma coletiva, para somar. E para protestar, sim! Garantido pela Constituição. Mas de forma séria e responsável. Com muito mais pautas progressistas e muito menos mimimi e provocações do jogo podre de poder institucional.

Sou otimista, e ainda tenho esperança de que todos nós brasileiros optemos por mais informações e maior participação política de bons princípios para si, para o próximo e, assim, de forma mais justa para o coletivo, fazermos todos melhores escolhas para nossas vidas e nas urnas. Afinal, a democracia precisa se fortalecer e, para isso, essa reforma íntima precisa acontecer. Não está nada fácil, mas uma coisa é fato: Toda reforma só acontece de dentro pra fora. A próxima, precisa ser Política sim, mas de mão dada com a justiça e a política social, com a ambiental, com a econômica, tributária, agrária, entre outras, afinal o País merece se desenvolver e progredir de forma inteligente e sustentável, de fato. Sem retrocessos covardes e uma polarização inconsequente por poder a qualquer custo. Antes que o Brasil e todos os brasileiros morram atropelados pela política mórbida fascista hegemônica e egocêntrica. Tudo, menos isso.

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