quarta-feira, 26 de junho de 2013

Todo dia é dia!

Todo dia é dia! 

E...

"Nesse dia mundial do meio ambiente eu gostaria de falar do tempo. Não, não vou falar do aquecimento global que coloca em xeque o modelo de desenvolvimento que o ser humano construiu até agora. Quero falar do tempo da vida, do tempo das coisas...

Há 41 anos que as nações do mundo se reuniram em Estocolmo pela primeira vez na história da humanidade para discutir, em nível global, a questão ambiental. Para uma rocha, 41 anos não é nada, mas para uma borboleta, isso é muito tempo! Na pauta ambiental, cada dia a mais é um dia a menos, porque algumas coisas simplesmente não esperam... os processos naturais tem seu próprio ritmo e a sua própria dinâmica... e como é sábia a natureza!

E para nós, sociedade globalizada, conectada, consumista, não muito idealista, mas bastante competitiva, 41 anos ainda não foram suficientes para gerar as transformações que necessitamos para garantir a nossa própria sobrevivência coletiva, afinal, necessitamos de recursos naturais e de um habitat para viver!

Isso é muito sério e talvez seja por isso que não consigo relaxar e simplesmente comemorar o dia mundial do meio ambiente. Há muito a ser feito, os avanços são tímidos, existe uma miopia coletiva para muitos temas dessa pauta, os governos são reativos, a participação da sociedade civil ainda é tímida para o tamanho do desafio, muitas decisões são tomadas com base em interesses, nem sempre legítimos e assim, o quadro vai perdendo a cor e o alimento vai perdendo o sabor...

Que o dia 5 de junho de 2013 marque o tempo da mudança! Que não demoremos mais 41 anos para fazer acontecer de verdade as mudanças que já sabemos que precisamos fazer acontecer! Que a cada ano que se passe, tenhamos mais motivo para lembrar e comemorar um dia que mudou nossas vidas... e esse dia pode ser um dia qualquer, então, que seja hoje!

Gostaria de cumprimentar e parabenizar todas as pessoas que direta ou indiretamente, profissional ou voluntariamente, em casa ou no trabalho, nos dias úteis ou inúteis, fazem alguma coisa para mudar, para melhorar... e que fazendo isso, encontram sentido em ações que podem parecer pequenas, mas que no coletivo, podem ter grande repercussão!

Para mim, mais do que nos outros 364, hoje é dia de falar menos e fazer mais!"


Texto de Flavio Ojidos, consultor ambiental da Ojidos & Marinho.

Toda reforma só acontece de dentro pra fora

Muito se fala em crise mundial política e econômica e vice-versa. Pouco se fala quando, onde, como e porque começou. Quer dizer, a História e o Jornalismo descrevem tudo isso, ultimamente da forma mais leviana possível, mas a narrativa desse texto não será a cronologia dos fatos no âmbito político-econômico mundial. A questão será a falta da compreensão do cerne da problemática. O ser humano ainda não se deu conta que o maior ativo das galáxias, a natureza com seus infinitos recursos naturais, são fontes esgotáveis, mesmo que a vaidade e a ganância por poder, inerente em muitos seres humanos mas travestidas de desenvolvimento, apenas queiram que sejam inesgotáveis. 

O mundo passa por uma crise existencial que precisa ser combatida por uma consciência coletiva revolucionária antes que se autodestrua. As nações e seus povos não conseguem chegar em consensos de desenvolvimento versus preservação social e ambiental para um desenvolvimento político-econômico efetivamente sustentável. Porque ainda não entenderam que Sustentabilidade é um tripé: social, ambiental e econômica. E que uma depende da outra. E que, principalmente, cada local tem as suas peculiaridades culturais.

Os atuais modelos de sistemas político-econômicos estão aparentemente ultrapassados, falidos de princípios éticos e morais, sejam de esquerda ou de direita, e constantemente culminam em manifestações com pautas muito específicas, embora conectadas com o coletivo que interessa a parcela da população diretamente afetada, mas nada interessante à hegemonia capitaneada pela Economia sem precedentes. No Brasil, principalmente. Vide as manifestações civis que permeiam o País há alguns poucos meses, levando milhares de pessoas principalmente jovens às ruas, mas aparentemente sem efeito mais amplo e efetivo politicamente social, mesmo que o aumento dos 20 centavos na passagem do transporte público tenha sido adiado e isso seja uma conquista. 

A massa é manipulada pela grande mídia. As lutas de classes parecem perder forças. O neoliberalismo já nasce falido no quesito sustentabilidade em seu tripé. Mas e aí, sentamos e choramos? Perdemos a ternura? Desistimos? Jamais! Primeiro, nesse momento de união de forças não podemos esquecer que a racionalidade e a inteligência, principalmente a emocional, são fatores indispensáveis para alguma solução efetiva na Política: a sua reforma. Mas, para isso, o brasileiro precisa de uma reforma íntima. Aquela que acontece de dentro pra fora. De valores não monetários. De real valor de igualdade: o do sentimento de querer realmente que todos avancem e não apenas um ou outro.

Aos que tem oportunidade de acesso à informação, precisamos deixar de ser omissos, acomodados, mal acostumados a só reclamar, sem nos culpar pelo tempo que o sistema nos engole para o avanço próprio, das pessoas que amamos e do coletivo. Infelizmente, a maioria que não tem acesso não sabe nem um milésimo do que se passa no dia-a-dia de seu País, quiçá em sua História, (in)justamente, por serem vitimas desse sistema opressor hegemônico que rouba literalmente as possibilidades de acessos a Educação e Saúde, ao Transporte e Segurança Públicos, entre todos os outros direitos conquistados a duras penas, mas constantemente cerceados por negligência e corrupção. Mas se esse mesmo um milésimo passar a se preocupar com o bem do seu entorno já será uma grande mudança. 

Protestar é preciso, mas é igualmente preciso que saibam a fundo conjecturar o porquê, o como, o para que, para onde, para quem e o 'ok, então qual o próximo passo?' O Brasil, mais do nunca, precisa de gente focada, interessada, bem informada, coerente com as demandas de opressão e todas as pautas necessitadas de igualdade e liberdade. Comprometida e com atitudes construtivas de forma coletiva, para somar. E para protestar, sim! Garantido pela Constituição. Mas de forma séria e responsável. Com muito mais pautas progressistas e muito menos mimimi e provocações do jogo podre de poder institucional.

Sou otimista, e ainda tenho esperança de que todos nós brasileiros optemos por mais informações e maior participação política de bons princípios para si, para o próximo e, assim, de forma mais justa para o coletivo, fazermos todos melhores escolhas para nossas vidas e nas urnas. Afinal, a democracia precisa se fortalecer e, para isso, essa reforma íntima precisa acontecer. Não está nada fácil, mas uma coisa é fato: Toda reforma só acontece de dentro pra fora. A próxima, precisa ser Política sim, mas de mão dada com a justiça e a política social, com a ambiental, com a econômica, tributária, agrária, entre outras, afinal o País merece se desenvolver e progredir de forma inteligente e sustentável, de fato. Sem retrocessos covardes e uma polarização inconsequente por poder a qualquer custo. Antes que o Brasil e todos os brasileiros morram atropelados pela política mórbida fascista hegemônica e egocêntrica. Tudo, menos isso.