domingo, 17 de janeiro de 2010

VOLTA ÀS AULAS CONSCIENTE

Em tempos de tempestades no céu e tsunamis humanos nas papelarias, nada como uma bela pisada no freio. Um texto republicado pela blogger Tais Vinha, do Ombudsmãe, com a colaboração de Silvia Schiros, com dicas para uma volta às aulas mais consciente. 1. Bazares de troca ou venda de uniformes usados. A idéia, comum na Inglaterra, é montar um local na própria escola, onde os pais podem comprar ou trocar uniformes usados, mochilas, lancheiras e livros didáticos e paradidáticos em bom estado. Pais e escola decidem o que fazer com o dinheiro arrecadado. Pode-se também incluir a venda de roupas usadas (criança perde roupa novinha), brinquedos, jogos e material escolar. 2. Estímulo à carona. Incentivar os pais a trocarem roteiros e contatos de carona. Facilitar esta troca através de uma lista onde os pais interessados colocam roteiro e contato. É uma medida simples que reduz o número de carros na rua, poluentes e pais estressados. (Atenção escolas: pais menos estressados dão menos trabalho. Invistam nisso!). 3. Potão para troca de lanches. Uma gamela onde as crianças colocam os lanches que não vão comer, para que outro interessado (aluno ou funcionário) coma. Uma forma de compartilhar e reduzir as sobras. 4. Compostagem para as sobras de lanche. Feita pelas próprias crianças e que depois servirá de adubo para as árvores, horta e jardim da escola. Se houver excesso, pode ser doado para os pais ou entidades. 5. Lancheira sem embalagens. Opte por frutas, lanches e sucos caseiros, embalados em potes plásticos retornáveis (o bom e velho "tapuér") e em garrafinhas térmicas. Se precisar enviar um alimento industrializado e a escola do seu filho não tem um programa sério de reciclagem, tire-o da embalagem, mande no pote plástico e encaminhe você mesma a embalagem para a reciclagem. Dica: se você quiser sugestões de como montar lancheira saudável, entre no blog da Pat Feldman "Crianças na Cozinha". 6. Duas (ou mais) lixeiras em TODOS os ambientes. Uma para o lixo útil, outra para o lixo comum e, nos locais onde as crianças e profissionais se alimentam, uma terceira para as sobras de alimentos que irão para a compostagem. Observe que, em várias escolas, a reciclagem faz parte da grade curricular, mas na prática ela não funciona. As lixeiras de reciclagem são normalmente colocadas em apenas um ou dois pontos do páteo, mas ninguém pode esperar que uma criança (ou adulto) atravesse toda a escola, com uma embalagem vazia de suco na mão, em busca da lixeira correta. Descartar o lixo útil deve ser tão fácil como descartar o lixo comum. Quando as lixeiras estão posicionadas e sinalizadas em todos os ambientes, a seleção é feita automaticamente. Depois é só recolher e encaminhar para os programas de reciclagem locais, cooperativas de catadores ou para a compostagem. Esta é uma forma muito simples e imediata de reduzir significamente a quantidade de lixo produzida. 7. Reutilização do material escolar. Muito material que sobra ainda pode ser reutilizado. Lápis de cor, estojos, borrachas, marcadores de texto, pastas, fichários, apontadores, réguas, mochilas e lancheiras muitas vezes voltam em boas condições, bastando uma limpeza. Outra coisa que tenho reaproveitado são os cadernos que voltam com menos da metade das páginas preenchidas. Arranco as usadas, crio com meus filhos uma nova capa com imagens recortadas de revistas ou da internet e ele retorna novinho pra mais um ano de uso. 8. Olho vivo na cantina. As cantinas não devem ser apenas saudáveis, evitando comida porcaria, frituras e refris. Deve-se também buscar a redução de embalagens descartáveis, oferecendo frutas, sucos feitos na hora servidos em copos retornáveis, lanches caseiros, fatias de bolos, tortas, tapiocas fresquinhas etc. Quanto menos alimentos industrializados, melhor para a saúde das crianças e do planeta. E é claro, tem que ter três lixeiras bem pertinho, para as crianças descartarem o lixo reciclável, os restos de alimentos e o lixo comum. 9. Reutilização de livros. Antes de sair comprando qualquer livro, tente consegui-lo usado. Uma boa maneira é consultar os pais dos alunos que fizeram a mesma série no ano anterior e a escola pode facilitar este contato. Outra forma é procurar em sebos. O site Estante Virtual reune mais de mil sebos por todo o país. O processo de compra é simples e os preços muito mais baratos que nas livrarias. Sempre vale uma consulta. 10. Banir os descartáveis do dia-a-dia. Copos, xícaras reutilizáveis e squeezes (eta palavra metida para garrafinha) são funcionais e evitam uma montanha de lixo. Podem ser lavados na escola ou devolvidos diariamente na mochila. O bom e velho bebedouro também funciona, mesmo para quem esqueceu o copo. Nas festinhas escolares, os pais devem ser estimulados (leia-se educados) a enviar utensílios retornáveis. Ou a própria escola pode disponibilizar tais objetos, bastando os pais enviarem os alimentos e bebidas (de preferência, sucos que serão servidos em jarras). 11. Uso inteligente de papel . Incentivar a comunicação e a cobranca eletrônica. Imprimir relatórios, contratos e apostilas utilizando a frente e o verso das folhas. Usar papel reciclado sempre que possível. Educar as crianças para preencherem toda a folha, frente e verso, antes de iniciar uma página nova. No site da Sus School, há uma página interativa divertida e com dicas maravilhosas para uma escola sustentável. O texto está em inglês. Mande sua dica e ajude a ampliar esta lista. E que este retorno às aulas seja um período de muito aprendizado. Para os alunos, pais e educadores.

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